terça-feira, setembro 13, 2005

temos pena

Biologia é provavelmente a coisa mais interessante p'ra se estudar no mundo. Em portugal entram no curso demasiados contrariados. Quase todos queríamos medicina e acabamos lá. Passam-se uns anos a remoer as décimas ou as centésimas que faltaram, muitos tranferem-se mais tarde, outros voltam a fazer os exames (anos e anos a fio) e outros, como eu, percebem que até nem queriam ser médicos e, mal por mal, deixam-se ficar. Mas agora as batas brancas nos laboratórios já não me convencem, não são nenhuma garantia de integridade ou inteligência, o lado humano da investigação não existe, não há moralidade na ciência. Todos são empurrados para especializações num mundo que não é compartimentado nem pode ser compreendido ou explicado assim. Os investigadores brilhantes ignoram, quase todos, o mundo que os rodeia. Passam anos à volta de uma equação e meia dúzia de fórmulas, repetem procedimentos técnicos até à exaustão. E vou eu, e enfio-me nesta treta. A Ciência, com a confiança com que é encarada entre leigos, é um falso conceito. Desconfiem dela como desconfiam da política. Aliás, mais.

8 comentários:

Ruben disse...

Tu não és grande, és enorme. Subscrevo a 100% as tuas palavras. Malta: estudem redes tróficas :)

O sono é muito apreciado, os orgãos e o silêncio sim precisam de uma frente libertadora. A resina... nunca deves ter estragado as tuas melhores calças com resina, para gostares do cheiro ;)

Eu incluia na tua lista: a chuva e o chocolate quente.

sergei disse...

Exigir de nós próprios capacidade para integrar conhecimentos.
Nada pode ser conhecido no seu todo, de uma só vez, tal como não se monta uma mesa pregando todos os pregos e todas as peças simultaneamente. Cada coisa a seu tempo, uma coisa de cada vez.
Tirar os óculos de cabedal.
Repetir pode ser a verificação de fiabilidade, até ao dia em que a engrenagem salta e o relógio ganha mais um segundo. Aí, há que reajustá-lo.
"Desconfiem dela". É a base para que avance. Encontrem-se-lhe os podres, encontrem-se-lhe as falhas. Mais dia menos dia alguém a corrige. Mais dia menos dia ela avança.

sergei disse...

Não tenho muito jeito para textos e reflecções de índole filosófica. Não sei se o que escrevi faz algum sentido mas fica escrito.

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

nunca quis estudar medicina...terei um problema?

Raquel Úria disse...

HL: não são orgãos, são oregãos. ;)

Sergei: solta a veia poetico-filosófica mais vezes, não está nada mal.

Rute: não teres querido estudar medicina é uma prova de inteligência.

Avozinha disse...

Já andava desconfiada!

Raquel Úria disse...

Sergei: Ainda quanto à especialização vs. generalização, começo a achar cada vez mais que mais vale saber menos mas com sentido e contexto no todo do que acharmos uma vida inteira que sabemos muito de alguma coisa, quando esse "muito", bem espremido, é um punhado de nada. Estou falabarato-especialista.

sergei disse...

Muitos poucos fazem muitos.