As aventuras de hoje foram quase tão assustadoras como as do filme.
O marido de partida para o Porto despede-se e sai. Dois minutos depois liga-me a pedir que desça para lhe levar o GPS porque o esqueceu em cima da mesa. A correr e sem pensar (tenho esse hábito) pego no dito e saio disparada porta fora.
Só quando o estalido da porta a fechar me ecoou nos ouvidos (já ia a meio das escadas disparada) é que percebi que me tinha esquecido das chaves e não podia voltar a entrar. Nada de pânicos porque o marido estava à minha espera lá em baixo e tinha as chaves dele. Muito bem.
Chego ao carro, explico o sucedido e fazemos a troca. Subo com as chaves e, como ele ia demorar uns instantes a programar a geringonça, digo-lhe que volto já e lhas devolvo antes de partir.
Só que a minha chave afinal estava na fechadura do lado de dentro e era impossível usar outra pelo lado de fora. Telemóvel fora de alcance dentro de casa, gatas à solta, porta das traseiras inacessível e também fechada com a chave na fechadura... voltei a descer. Ele já estava atrasado e teve que seguir viagem. Deixou-me o cartão de cidadão para eu tentar abrir a fechadura. Uns minutos depois estava dentro de casa. Não foi fácil mas há coisas que não se esquecem, como andar de bicicleta. E quem disse pela primeira vez que "a necessidade aguça o engenho" tinha toda a razão, se eu não me esquecesse de tudo em todo o lado, não teria já meia dúzia de histórias para contar que acabam inevitavelmente comigo a abrir a porta de casa com um cartão.