O Fala-barato, a Papa-açorda, o Chico-esperto, o Fura-greves, a Barata-tonta, o Zé-ninguém, a Maria-vai-com-as-outras, o Falinhas-mansas, o Troca-tintas, a Salta-pocinhas, o Meia-leca, o Vira-latas e a Cabeça-de-alho-chocho.
domingo, setembro 28, 2008
sábado, setembro 27, 2008
receio não ter um espírito lá muito científico
- Porque é que a Lua não cai? - pergunta Gabriel.
- Essa pergunta prova que te estás a transformar num homem - responde Louis.
Com um ar extremamente comovido, afasta de cima da mesa de trabalho todos os livros e mapas que lá se encontram, vai buscar um banco para o filho, pega numa grande folha de papel, agarra num lápis, desenha bolas, elipses, crescentes e começa uma explicação confusa, abordando sucessivamente a representação do mundo entre os Antigos, as desgraças de Galileu, a queda das maçãs, o movimento das marés, etc. (...) E continuam os esquemas, os cálculos que parecem não ter a menor relação com a Lua. Manifestamente, Louis perdeu-se. (...) Gabriel já tem uma resposta, muitíssimo mais simples. Uma resposta irrefutável: uma noite, houve alguém que atirou ao chão uma bola de borracha, parecida com a sua, mas branca e gigantesca. E atirou-a com tanta força que ela saltou até ao céu. (...)
Mais tarde, pela porta entreaberta, enquanto se despe, Gabriel ouve a voz de Louis:
- Receio que esta criança não tenha um espírito lá muito científico.
Erik Orsenna, A explosão colonial
enquanto a Terra continua a girar
Passo cada fim-de-semana ansiosa pela chegada da segunda-feira e cada semana ansiosa pela chegada do sábado. Aqui só se tem vontade que o tempo passe, e depressa.
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tempo
quarta-feira, setembro 24, 2008
mesquinhez minha
Partilho a sala com umas quantas pessoas durante um mínimo de 7 horas por dia. Não é nenhuma maravilha, mas é perfeitamente suportável.
Mesmo sem querer, é inevitável escutar conversas cruzadas. Ao longo do tempo, vamos conhecendo melhor as pessoas. Tenho um colega completamente farsolas, daqueles cómicos mesmo que fazem tudo para agradar aos chefes e se estão a borrifar para o resto do mundo. Um manipulador relativamente elaborado. Nos dias em que os esquemas lhe correm mal(poucos), confesso que regresso a casa mais feliz.
quinta-feira, setembro 18, 2008
low expectations
O regresso da roda da sorte foi a única boa surpresa em vários anos de televisão portuguesa. Talvez porque do Herman já não esperava nada de bom e agora até tenho vontade de sair do trabalho a horas.
terça-feira, setembro 16, 2008
10 meses de Évora
Percebemos que andamos completamente a leste quando recebemos o mail eufórico de amigos que acabam de ser pais e nem sequer tinhamos ideia de que estivessem grávidos.
sábado, setembro 13, 2008
poemas sem aliterações que o meu marido devia cantar
1
Naquele dia, na Lua azul de Setembro,
Calmo, debaixo da ameixeira nova,
Tive-a eu, a calma amada pálida,
Nos braços como um sonho lindo.
E sobre nós, no belo azul de Verão,
'Stava uma nuvem que olhei por longo tempo:
Era muito branca e ia lá muito alto,
E quando ergui os olhos tinha-a levado o vento.
2
Desde esse dia muitas, muitas luas
Boiaram calmas no horizonte e passaram.
As ameixeiras, com certeza as derrubaram -
E o que é feito do amor? - Perguntas tuas -
E eu respondo: Não me posso lembrar.
E no entanto, sim, sei o que queres dizer.
Mas do rosto, realmente não me posso recordar.
Apenas sei que outrora o beijei.
3
E também do beijo me teria já esquecido
Se não fosse aquela nuvem que lá estava.
Dessa inda sei e hei-de sabê-lo sempre:
Era muito branca e muito alto pairava.
As ameixeiras talvez inda floresçam,
E a tal mulher tem sete filhos já, talvez.
Mas aquela nuvem floresceu só por minutos,
E, quando ergui os olhos, no vento se desfez.
Recordando Marie A. - Bertolt Brecht na versão portuguesa de Paulo Quintela
Naquele dia, na Lua azul de Setembro,
Calmo, debaixo da ameixeira nova,
Tive-a eu, a calma amada pálida,
Nos braços como um sonho lindo.
E sobre nós, no belo azul de Verão,
'Stava uma nuvem que olhei por longo tempo:
Era muito branca e ia lá muito alto,
E quando ergui os olhos tinha-a levado o vento.
2
Desde esse dia muitas, muitas luas
Boiaram calmas no horizonte e passaram.
As ameixeiras, com certeza as derrubaram -
E o que é feito do amor? - Perguntas tuas -
E eu respondo: Não me posso lembrar.
E no entanto, sim, sei o que queres dizer.
Mas do rosto, realmente não me posso recordar.
Apenas sei que outrora o beijei.
3
E também do beijo me teria já esquecido
Se não fosse aquela nuvem que lá estava.
Dessa inda sei e hei-de sabê-lo sempre:
Era muito branca e muito alto pairava.
As ameixeiras talvez inda floresçam,
E a tal mulher tem sete filhos já, talvez.
Mas aquela nuvem floresceu só por minutos,
E, quando ergui os olhos, no vento se desfez.
Recordando Marie A. - Bertolt Brecht na versão portuguesa de Paulo Quintela
terça-feira, setembro 09, 2008
dumped
Ontem, alguém com os olhos marejados em lágrimas confirmava-me o que eu no fundo já sabia há algum tempo.
Dizerem-nos que no mês seguinte não têm como nos pagar e que por isso são forçados a dispensar o nosso trabalho deve provocar a mesma sensação que um namorado a acabar tudo com a conversa "eu não te mereço". Sente-se uma certa liberdade, um friozinho na barriga e algum pânico mas também alívio. Não sei porquê, mas sente-se.
segunda-feira, setembro 01, 2008
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