quinta-feira, novembro 23, 2006

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
crepite, em derredor, o mar de Agosto
e o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira

SIMPLEX

É uma questão de se averiguar a constitucionalidade da pergunta.

de disparates tão grandes apetece dizer:

"mas ca ganda desparate!"

domingo, novembro 19, 2006

hipertensão

há blogues que eu não devia visitar. Reformulo: são poucos os blogues que devia visitar.

quinta-feira, novembro 16, 2006

falácia flagrante

Tempo é dinheiro.

É falso. Falso, falso, falso. Seria correcto se formulado invertido, apesar da perca de musicalidade (principlamente passando de "time is money" para "money is time"). Mas é o dinheiro que é tempo. Quanto muito, eventualmente em alguns contextos, tempo e criatividade serão dinheiro; mas a rara ocorrência do fenómeno não o torna digno da extrapolação para regra e muito menos para a promoção a expressão proverbial.
A falta de dinheiro exige demasiado tempo. Até uma simples e necessária ronda ao supermercado demora muito mais tempo se tivermos o dinheiro contado. Comparar preços, estabelecer prioridades, resistir a tentações... tudo demora muito mais tempo do que encher um carrinho, pagar e sair. Muito tempo livre nunca encheu a conta a ninguém. O dinheiro, pelo contrário, paga tudo aquilo que nos permite ganharmos tempo.

terça-feira, novembro 14, 2006

actos de amor

O escritório é a divisão mais gelada da casa e não tem aquecimento. Não há incentivos para se passar muito tempo no computador. Nem indemnizações compensatórias.

dia de reflexão

todas as acções de campanha estão suspensas.

sábado, novembro 11, 2006

The Departed é a versão contemporânea de Gangs of New York?
Depois deste post, o meu marido vai considerar seriamente o divórcio.

sexta-feira, novembro 10, 2006

toda a verdade

Sempre gostei de provérbios populares. Sei que consigo ser insuportável como os velhotes que respondem a todas as situações com um provérbio apropriado porque tendo a reconhecer-lhes uma autoridade inquestionável.
Ultimamente sofri algumas desilusões ao aperceber-me da pouca fiabilidade de alguns provérbios populares. Isto é recente e ainda me custa falar sobre o assunto mas brevemente começarei a debruçar-me sobre esta questão fundamental. Já sei que muita gente nem vai dormir depois de ler isto, mas não podia continuar calada.

deste lado da barricada

confirmo mais uma vez a falta de criatividade nos temas de conversa. Mas, ao contrário do que esperava, estou a borrifar-me.

quarta-feira, novembro 08, 2006

cocooning

Pena não haver na garagem espaço livre suficiente para termos comprado lenha este ano. Os serões à volta das lãs sabem muito melhor com lareira acesa.

segunda-feira, novembro 06, 2006

o tempo descompassado

Há sempre uma nostalgia estranha associada ao mês de Novembro. Os cheiros, os sons, parece-me sempre que o tempo fica descompassado e lembro-me de anos anteriores, de pessoas a quem perdi o rasto, das brincadeiras de criança, das minhas avós e de pormenores que pensava ter esquecido. Há uma cor diferente nas coisas. Fico triste, com a tristeza boa da saudade, dos projectos e sonhos por realizar, da brevidade da vida e da importância de cada segundo que está aqui e... ups, já passou.

sexta-feira, novembro 03, 2006

senhoras:

Aconcheguemos os véus e continuemos caladas.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Jardim Botânico de Coimbra

Eu fui.

Earl Grey

O meu irmão, ao telefone do seu exílio nos Açores, confidencia: "tenho saudades de estar aí convosco, a beber chás e ver televisão". E são momentos destes que me deveriam levar a repensar a minha vida. Mas posso sempre repensá-la enquanto bebo um chá e vejo televisão.

das coisas que dão cor à vida

"The remarkable thing about fearing God is that when you fear God, you fear nothing else, whereas if you do not fear God, you fear everything else.” Oswald Chambers

A ideia é gira, contudo, eu temo a Deus e, ainda assim, tenho um medo pavoroso da dor física e da doença. Deus é maior e a morte não é o fim mas nem por isso uma dor deixa de doer. E isso é tramado. E fascinante.

HUC

A noite que se segue ao cortejo da Latada em Coimbra, é uma das melhores para se passar na sala de acompanhantes das urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Ainda por cima este ano era noite das bruxas. Vê-se de tudo. Ironicamente, chega a ser divertido.