segunda-feira, abril 03, 2006

Crescer


Depois do almoço, andei a apanhar praganas e a relembrar as tardes passadas a apanhá-las para encher as camisolas das vizinhas.
"Quantos namorados tens?"
"Nenhum!"
"Mentirosa, tens 4!"
"Tens 12!"
E chegava a haver choro e tudo, na altura em que ter um namorado era sinal de fraqueza.
Às vezes tenho tantas saudades daquelas tardes sem relógio que duravam uma eternidade, passadas a correr no meio dos campos, a apanhar flores e a construir casas no cimo dos montes de tijolos antes de se transformarem em muros.

6 comentários:

Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

essas coisas nas camisolas sempre me irritaram.
(e o que eu me irritava tb quando a minha tia ou o meu avô me perguntavam quem era o meu namorado...lol. era mesmo sinal de fraqueza)

mulher disse...

ainda no outro dia me lembrei disto. Obrigada!

Ruben disse...

e a fazer grandes descobertas arqueologicas no quintal; fazer sopas de terra e papoila, jogar aos "thundercats" e fazer naves espaciais o do monte de lenha ... haaaaa... those were the days!

Raquel Úria disse...

:)

méri disse...

"thundercats"!...
o que eu adorava esses desenhos animados!
e as tardes em que percorríamos este mundo e o outro...
:o)
Rhuu... gostei tanto da ternura deste post e do comentário do Homem do Lixo.

caminante disse...

La nostangia no debe para lizar nuestra ansia de vivir. Y nuestras casashan de ser lugar de encun tro, no muro que separe.
Vivan los románticos.
Un fortísimo abrazo.